COEXISTENCIA Residência imersiva na Amazônia
Por ocasião da Temporada França–Brasil, a COAL e o LABVERDE unem-se em torno do programa de residência imersiva na Amazônia Speculative Ecologias. O artista Kenny Dunkan, nascido em 1988 na Guadalupe, foi selecionado para participar deste período de pesquisa e criação.
Concebido como uma plataforma multidisciplinar, o LABVERDE reúne artistas, cientistas, ativistas, pensadores indígenas e outros agentes do conhecimento para repensar nossas relações com o mundo vivo. Seu programa, enraizado na floresta amazônica, propõe dez dias de imersão, combinando expedições, conferências, oficinas e seminários, nos quais a natureza se torna simultaneamente campo de experiência e espaço de especulação sobre novos futuros ecológicos.
Durante a residência, Kenny Dunkan dará continuidade à sua exploração sobre os legados ameríndios da Guadalupe e suas ressonâncias nos ecossistemas tropicais. Sua prática, inspirada em artefatos e rituais oriundos desse patrimônio ancestral, se desenvolve a partir de um estúdio portátil – microfone, endoscópio e câmera 360° – que lhe permite coletar sons, texturas e imagens para compor verdadeiros arquivos sensoriais do vivo. Esses fragmentos alimentam instalações imersivas onde se encontram memória, espiritualidade e ecologia especulativa, tecendo um diálogo sensível entre as culturas guadalupense e amazônica.
O Caminho
O programa O CAMINHO é uma iniciativa da rede das Alianças Francesas do Brasil e da rede Diagonal, com o apoio da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Francês. Aberto num espírito de diálogo entre culturas e de reflexão sobre o nosso mundo contemporâneo, este programa de residência visa promover o intercâmbio entre profissionais da área da fotografia e estabelecer um diálogo cultural rico e fecundo entre a França e o Brasil.
Para esta 3ª edição, certificada no âmbito da temporada França-Brasil, a fotógrafa Alexa Brunet, vencedora de 2025, será recebida em residência de pesquisa e criação por um período de um a dois meses no Brasil a partir de janeiro de 2026. Dando continuidade ao seu trabalho de longa data sobre crenças, Alexa Brunet desenvolverá um projeto fotográfico que propõe uma exploração visual das crenças do Brasil, em particular as da região de Mato Grosso do Sul e do Sertão. Envolvendo os habitantes de diferentes comunidades em um trabalho colaborativo de encenação, o objetivo é fazer emergir uma memória invisível dos rituais vernáculos em dois territórios emblemáticos da identidade brasileira. Uma restituição do trabalho da fotógrafa, com possível circulação na rede das Alianças Francesas do Brasil em 2026, completará este programa de residência.
Do Vento
A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Do Vento, exposição individual do artista francês Xavier Veilhan, reunindo obras concebidas no âmbito de seu projeto Transatlantic Studio — uma iniciativa em que o artista transfere seu ateliê para um veleiro, propondo uma alternativa ao transporte aéreo de obras de arte.
A bordo do catamarã Outremer 5X — uma embarcação movida a vento e composta por 50% de fibra de linho — o artista, sua equipe e suas obras cruzarão o Atlântico, partindo de Concarneau, na Bretanha (França), com destino ao porto de Santos. Veilhan desenvolverá parte das obras durante a travessia e concluirá a produção em São Paulo, onde elas serão apresentadas ao público na Nara Roesler São Paulo, de 8 de novembro de 2025 a 31 de janeiro de 2026.
“Quero desenvolver esse estúdio flutuante e essa iniciativa de transporte à vela em algumas das minhas próximas exposições. O objetivo é criar novos imaginários e oferecer uma alternativa às pressões e ao ritmo frenético do mundo da arte: feiras e exposições internacionais consomem muita energia e priorizam a velocidade”, explica o artista. “O setor precisa se adaptar aos desafios ecológicos, mas encontra limitações para manter sua competitividade. Este projeto é uma experiência, uma tentativa — e tem valor como obra de arte em si”, acrescenta.
Nessa expedição, Veilhan será acompanhado por Roland Jourdain, navegador premiado e cofundador da Fondation Explore; Denis Juhel, imediato; Matthias Colin, oceanógrafo que participará para fins de pesquisa; Antoine Veilhan, filho do artista, especialista em marcenaria e carpintaria náutica; e Carmen Panfiloff, assistente de escultura e marcenaria.
A proposta é que Veilhan possa trabalhar como em seu ateliê de Paris. O barco é, simultaneamente, meio de transporte e espaço de criação. Para a produção das esculturas a bordo, serão utilizados equipamentos de marcenaria concebidos por Antoine, trazidos da França e projetados para funcionar sem eletricidade — como uma serra de fita acionada por pedal.
Além de dois móbiles criados no ateliê de Paris, já conhecidos no repertório do artista, as novas esculturas produzidas durante a travessia exploram a ideia de uma natureza ficcional, representando animais e figuras humanas em escalas e proporções irreais. Ao tensionar forma reconhecível e abstração, Veilhan cria um efeito de estranhamento, permitindo que o familiar também se torne simbólico. As silhuetas, que oscilam entre o universal e o pessoal, refletem arquétipos atemporais, condensando presença, memória e sujeito em uma (im)permanência no espaço. Produzidas durante a viagem, essas figuras incorporam a experiência do deslocamento: entre um território e outro, são obras que transformam constantemente o espaço e o olhar.
A exposição incluirá ainda um vídeo realizado durante a travessia, no qual elementos de ficção e documentário se entrelaçam. Segundo o artista, trata-se de “uma celebração de tudo o que é vivo, uma celebração da natureza.”
Após a mostra na Nara Roesler São Paulo, a equipe retornará à França, onde seguirá em busca de novos espaços e parceiros que apoiem e estimulem esse modelo inédito de produção e transporte desenvolvido pelo artista.
A Fondation Explore e o Museu Nacional de História Natural de Paris serão parceiros nesta travessia e aproveitarão a viagem para realizar pesquisas científicas. Serão coletadas amostras de plâncton no oceano, e os dados serão enviados por satélite para alimentar bancos de dados científicos. A bordo, um hidroplanador equipado com hidrofone registrará sons da vida subaquática. Essas gravações integram expedições contínuas realizadas pela empresa australiana We Explore, dedicadas à identificação e preservação da vida marinha.
KWIR NOU ÉXIST | São Paulo
Kwir Nou Éxist é um projeto artístico multimídia que explora a construção da identidade queer no contexto insular e cultural de Reunião. Por meio de uma série de retratos fotográficos, vídeos e arquivos, ele destaca a diversidade e o engajamento da comunidade LGBTQIA+ de Reunião. O projeto testemunha um movimento local forte, resiliente e em plena afirmação, através de imagens ao mesmo tempo delicadas e profundamente enraizadas nas paisagens da ilha. Elas afirmam com força: “Somos crioulos, somos queer e existimos.”
KWIR NOU ÉXIST | Rio de Janeiro
Kwir Nou Éxist é um projeto artístico multimídia que explora a construção da identidade queer no contexto insular e cultural de Reunião. Por meio de uma série de retratos fotográficos, vídeos e arquivos, ele destaca a diversidade e o engajamento da comunidade LGBTQIA+ de Reunião. O projeto testemunha um movimento local forte, resiliente e em plena afirmação, através de imagens ao mesmo tempo delicadas e profundamente enraizadas nas paisagens da ilha. Elas afirmam com força: “Somos crioulos, somos queer e existimos.”
O Oceano como método
Esse projeto é voltado para estudantes, professores e qualquer pessoa interessada nos oceanos, na ecologia, na história dos portos e em suas atividades, assim como na diaspora africana através dos oceanos.
Depois de uma estadia em abril 2025, de 8 estudantes de mestrado acompanhados das professoras Emmanuelle Chérel et Euridice Zaituna-Kala na Bahia, com visitas a vários lugares de memória e encontros com historiadores, antropólogos (na UFBA as professoras Paola Barreto e Karla Brunet e seus estudantes de mestrado) artistas, a fim de compreender a relação histórica com o oceano e a riqueza de histórias e práticas.
Os alunos trabalharam em projetos artisticos pessoais e contribuiram para o projeto do Oceano como método durante 3 semanas.
Les Photaumnales de Beauvais em Minas Gerais
Em Belo Horizonte, Cédrine Scheidig (Le Morne, the fire, UFMG) e Hélène Jayet (Chin up, Casa do Baile) exploram as memórias afrodescendentes, sendo que Jayet trabalha em conexão com uma residência local.
Em Ouro Preto, Gilles Elie-dit-Cosaque apresentará uma exposição no Museu Boulieu, enquanto Wendie Zahibo participará do Festival Artes Vertentes em Tiradentes com o projeto Masonn.
Tarik Kiswanson – Fora do tempo
A exposição se inicia com o vídeo The Fall [A queda] (2020), uma obra contemplativa, que mostra um garoto caindo lentamente para trás em uma sala de aula vazia. Em um estado de levitação entre o equilíbrio e o colapso, esse momento suspenso – ao mesmo tempo íntimo e desconcertante – reflete uma noção recorrente na obra de Kiswanson: a da criança no limiar da adolescência.
No centro da exposição estão as esculturas levitantes intituladas Nest [Ninho] (2020-2023) e Cradle [Berço] (2020-2024). Essas formas de brancura imaculada, semelhantes a casulos, sugerem o aparecimento iminente da vida – um nascimento, um renascimento. As esculturas, que constituem um motivo recorrente e profundamente simbólico na prática do artista, evocam os grandes ciclos da natureza, mas também podem ser compreendidas como lugares de refúgio e abrigo. Sua presença física sugere uma força inerente – capaz de romper hierarquias e desestabilizar a ordem estabelecida.
Os desenhos do artista aparecem ao longo da exposição. Alguns retratam crianças pairando no limiar da visibilidade, enquanto outros surgem como formas ovais borradas, lembrando nuvens ou núcleos de energia. Construídos a partir de sucessivas camadas de carvão, os desenhos refletem a contínua investigação da artista sobre o corpo e seu lugar no mundo: sua transformação, sua dissolução, sua ausência e sua renovação. Ao mesmo tempo materiais e metafísicos, eles evocam o conceito de opacidade de Édouard Glissant – uma influência formadora para o artista desde seus primeiros anos como estudante.
Esvanecendo a linha entre memória pessoal e história coletiva, as obras da série Recall [Recordação] (2020-2025), de Kiswanson, refletem sobre temas como migração e lembrança. Essas esculturas inquietantes, dispostas no chão e reminiscentes de lápides translúcidas, partem diretamente da história de sua família, ao mesmo tempo em que ressoam com experiências diaspóricas mais amplas. Por meio de sua presença etérea, convidam o público a pensar sobre como histórias íntimas podem espelhar narrativas culturais compartilhadas de deslocamento e perda.
A prática de Kiswanson articula uma poética da transição. Ainda que enraizada na experiência pessoal, sua arte transcende o autobiográfico para abordar dinâmicas mais amplas da memória coletiva e da transmissão cultural. Suas obras funcionam como recipientes de lembrança – formas que carregam vestígios tanto de trauma quanto de regeneração. Ao fazê-lo, refletem sobre a condição humana como algo moldado não pela estabilidade, mas por uma negociação contínua entre passado e presente, entre si mesmo e o outro, entre presença e ausência.
Oficina Solar 2025
A terceira edição da Oficina Solar – Programa de Residências ocorre no ano dos 10 anos do Solar dos Abacaxis (2025). Serão selecionados 6 artistas – quatro do Rio de Janeiro, dois de outras cidades brasileiras e dois da França – para vivenciarem um processo coletivo de pesquisa, criação e formação entre 4 de agosto e 3 de novembro de 2025. O programa oferece bolsa mensal, espaço de trabalho compartilhado, acompanhamento curatorial individual e coletivo, visitas a ateliês e instituições culturais, aulas, seminários e oficinas. Inserida nas reflexões do Solar sobre liberdade, a residência estimula práticas artísticas com dimensão emancipatória, política e pedagógica.
Festival Arte Serrinha da Primavera | Bragança Paulista
O Festival Arte Serrinha chega à sua 23ª edição com uma proposta inovadora e internacional. Em celebração à temporada França- Brasil, o festival assume um novo formato que conecta culturas e expressões artísticas de diferentes continentes. Este ano, o evento amplia suas fronteiras para receber artistas do Brasil, França e países africanos de língua francesa, promovendo um intercâmbio artístico e cultural profundo, que valoriza a diversidade e estimula diálogos urgentes e contemporâneos.



