19º Festival de Circo do Brasil

Fruto da colaboração entre a Grainerie de Toulouse e o Festival de Circo do Brasil, em Recife, o projeto inclui: a apresentação de companhias francesas de circo (Cie Nde, Maison Courbe, Cirque Immersif e La Vispera); o acompanhamento da criação Aldeia de Tous, com seis jovens artistas; e um laboratório de circo/skate da Cia. SCOM para oito skatistas e acrobatas francesas e brasileiras.
A programação francesa dentro do Festival conta com os espetáculos:
– Le Bruit de Pierres: Criação que combina circo coreográfico, artes visuais e teatro físico. Em cena, duas mulheres exploram a ganância da sociedade ocidental pelo ouro, tendo pedras, ocres e cristais como parceiros de ação e expressão. A obra investiga a relação entre o ser humano e o ambiente, transformando desequilíbrio e colapso em poesia corporal.
– Juventud: Espetáculo que une dança e malabarismo, transformando a fisicalidade circense em experimentação e liberdade. Com foco na juventude e no futuro, cinco intérpretes criam uma espiral de energia, onde movimento, som, luz e vídeo se entrelaçam. A obra valoriza a complexidade do coletivo, celebrando o gesto, o risco e a vitalidade que emergem da interação entre indivíduo e grupo.
– Copyleft: Espetáculo de malabarismo e dança repleto de humor e referências esportivas. Com um elenco internacional e direção de Nicanor de Elia, a obra foi criada para espaços públicos e celebra a precisão técnica, a energia coletiva e o jogo entre corpo, movimento e ritmo.
– Fragments: Thriller circense que combina humor e poesia para investigar a relação entre corpo, dor e transformação. Em atmosfera intimista, os artistas exploram distorções e desintegrações corporais, convertendo o sofrimento em linguagem cênica. Com máscaras, marionetes e jogos de luz, o espetáculo constrói um devaneio sobre a fragmentação como possibilidade de alívio e reinvenção, refletindo o frágil equilíbrio entre o que nos dilacera e o que nos impulsiona a seguir.
– How Much Can we Carry?: Espetáculo itinerante e sem falas que propõe uma pausa poética ao redor de uma percha gigante em desequilíbrio. Dois personagens atravessam espaços públicos carregando memórias e encontros, numa reflexão sensível sobre o ato de carregar, cuidar e estar presente.
– Hyperboles: Projeto que cruza skate e acrobacia para refletir sobre a presença e a força das mulheres em espaços tradicionalmente masculinos. Reunindo artistas e skatistas brasileiros e franceses, promove trocas e reinvenções do espaço urbano e cênico por meio do corpo em movimento.
– Aldeia de Tous: Laboratório artístico inspirado na obra de Ailton Krenak, Aldeia de Tous reúne seis jovens artistas — três brasileiros e três franceses — em um diálogo entre culturas e linguagens circenses. Após sua primeira etapa em Toulouse, dirigida por Duda Maia e Nicanor de Elia, o projeto segue no Brasil sob direção de Maria Paula Costa Rêgo e Poema Mühlenberg. O nome une “Aldeia”, em referência às comunidades indígenas, e “tous” (“todos”, em francês), simbolizando um espaço de criação coletiva e intercultural.



