Numa floresta encantada, o real se mistura ao sonho, à ilusão e ao sobrenatural, enquanto jovens se reúnem para escapar da cidade e se entregar às magias da natureza. Aos poucos, ao som de cantos e danças, as fronteiras se esbatem entre dançarinos, cantores e músicos… até comporem uma comunidade igualitária e fraterna, unida pela alegria da música.
Livremente inspirada em Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, The Fairy Queen convida a mergulhar num universo feérico e cômico, que, mais de 300 anos após sua criação, continua a maravilhar. Apresentado pela primeira vez em Londres, em 1692 — apenas três anos antes da morte precoce de Purcell, aos 35 anos — este “masque” (ou semi-ópera) é obra de um jovem prodígio. Nele, encontram-se alguns dos mais belos árias já compostos por Purcell – como o comovente O let me weep ou o vivaz Thrice happy lovers – nos quais seu domínio do contraponto e seu senso teatral atingem plena maturidade.
É justamente esse brilho, essa energia e essa juventude que esta nova produção convida a ver e ouvir. Sob a direção de William Christie e Paul Agnew, ao lado do coreógrafo Mourad Merzouki — que aqui assina sua primeira encenação operística — esta Fairy Queen é também a oportunidade de descobrir os novos laureados do Jardin des Voix, a academia para jovens cantores do conjunto Les Arts Florissants. Esses oito solistas, selecionados ao redor do mundo e já sob os holofotes da cena barroca internacional, interpretam aqui, alternadamente, todos os personagens dessa fábula festiva, ao lado dos bailarinos contemporâneos da companhia Käfig e dos músicos da orquestra Les Arts Florissants.




